Ser secretário de Estado do Tesouro e ministro das Finanças fazia parte das suas ambições durante a juventude. De 1992 a 1994, ocupou o lugar de director-geral do Tesouro e em 2011 teve oportunidade de cumprir a sua segunda ambição. Foi convidado por Passos Coelho para ministro das Finanças. Mas recusou.
Ocupar esse cargo significava uma de duas coisas: "ter o título", e juntá-lo ao currículo, ou "fazer obra", confessou ao "Jornal de Negócios", em 2011.
Na altura, ter apenas o título "já não era um objectivo". "Era necessário concretizar obra. No fundo, fazer a diferença. Achei que não tinha condições para isso. Tenho a ideia, e cada vez mais, de que a política não é para técnicos", disse.
O "técnico" Vítor Bento foi o escolhido para presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES), sucedendo a Ricardo Salgado.
De bancário a conselheiro de Estado
Vítor Bento acredita numa administração pautada por valores e defende que nem todos os males atribuídos à economia são culpa da economia.
"Os comportamentos das pessoas são orientados por escolhas morais e são essas escolhas, que todos nós fazemos, que são moralmente orientadas. As escolhas que fazemos no campo da economia são moralmente orientadas, mas é uma moralidade que é exterior à economia", disse à Renascença em 2011.
O economista e conselheiro de Estado é o actual presidente da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), que gere a rede Multibanco.
Vítor Augusto Brinquete Bento nasceu em Estremoz há 64 anos. Vem de famílias humildes e trabalhou para financiar os estudos.
Com 17 anos, trabalhou ao balcão de uma dependência do Montepio Geral enquanto estudava em regime pós-laboral. Licenciou-se em Economia em 1978 no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.
O imposto do Multibanco e o perdão da dívida
Nos últimos anos, escreveu vários livros, defendeu o aumento da idade da reforma e adescida da TSU e dos salários como alternativa aos despedimentos, criticou as avaliações negativas feitas a Portugal pelas agências de "rating" em 2011, aplaudiu a escolha de Vítor Gaspar (uma pessoa "brilhante") para ministro das Finanças e criticou o Governo de José Sócrates.
Mais recentemente, Vítor Bento defendeu um imposto sobre levantamentos no Multibanco para aumentar receitas do Estado e combater fuga ao fisco.
No Conselho de Estado de 3 de Julho, recusou a restruturação da dívida pública, defendendo que um "perdão" não muda o problema do défice, de acordo com o "Diário de Notícias".
Foi admitido no Banco de Portugal em 1980, facto de que se orgulha pela certeza de que foi conseguido por mérito próprio. "Felizmente que os processos de selecção eram cegos, isentos. Um anónimo conseguiu ter acesso àquele lugar", contou ao "Jornal de Negócios".
Em 2000, é nomeado administrador da VISA. Foi ainda presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (Sedes), entre 2006 e 2008.
Bento foi também presidente do Conselho Directivo do Instituto de Gestão de Crédito Público, director do Departamento de Estrangeiro do Banco de Portugal, vogal no Conselho de Administração do Instituto Emissor de Macau e é, desde 2000, presidente do Conselho de Administração da SIBS.
Fonte: Radio Renascença



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