No Agrupamento de Escolas Trigal de Santa Maria, sediado em Tadim, o ano lectivo foi conturbado, mesmo antes do seu arranque, com o encerramento da Escola Básica
de Vilaça contestado por pais e autarquia local, a que se juntaram as
‘vozes’ contra do próprio município e de vários quadrantes políticos. O
próprio Agrupamento deu parecer favorável à sua manutenção.
Fechada a EB1 de Vilaça, o director do Agrupamento, José Sil, avisa que a ameaça de fecho paira sobre
outros estabelecimentos, designadamente na freguesia de Cunha, onde a
escola do 1.º ciclo iniciou o ano lectivo com 22 alunos, nenhum no 1.º ano de escolaridade.
Neste contexto, o responsável do Agrupamento afirma que “a comunidade local
tem que estar atenta” e sublinha que os autarcas também têm a noção da
diminuição do número de crianças, ao nível dos jardins de infância e até
na componente de apoio à família que, em muitos casos, gerem.
José Sil assume que “a regressão demográfica se faz sentir de forma assustadora”.
Mesmo com menos uma escola, aumentou o número de alunos no Agrupamento,
para um número superior às nove centenas, mas as entradas no 1.º ciclo
diminuíram em cerca de três dezenas, aponta o dirigente.
As escolas do 1.º ciclo de Fradelos e de Tadim (Estação) acolheram a
maioria dos alunos que estavam matriculadas na EB de Vilaça e que se
mantêm no Agrupamento.
O arranque do ano lectivo no Agrupamento fica ainda ‘manchado’ pela falta de vários professores e José Sil admite quem “a paciência dos pais começa a esgotar-se”.
Por colocar estão ainda três docentes do 1.º ciclo, uma educadora de infância e um professor do grupo das tecnologias de informação e comunicação.
À falta de professores, as aulas estão a ser asseguradas por docentes que deveriam ter funções de apoio educativo.
A contratação de recursos humanos
para as actividades de enriquecimento curricular (AEC) é outro processo
que passou a ser responsabilidade das escolas e que está a criar
algumas dificuldades.
No Agrupamento Trigal de Santa Maria houve 1400 candidatos para colocar dez e, desde 16 de Setembro, que está a decorrer a selecção.
O director assume que “tem sido penoso” e acrescenta que são horários
muito reduzidos e que são remunerados por um índice diferente, apesar
das pessoas serem professores.
José Sil defende que o município volte a ser entidade promotora das AEC, delegando nas juntas de freguesia, já que “acabam por ser componente de apoio à família”.
Está também a decorrer o processo de contratação de um técnico de Psicologia para as 10 horas autorizadas pelo Ministério.
As aulas de Educação Física
continuam a fazer-se no pavilhão gimnodesportivo de Tadim o que obriga à
deslocação de alunos e “sempre motivo de preocupação” realça o
director.
O transporte faz-se em autocarro alugado, comparticipado pelos pais e Junta de Freguesia.
Bloco tecnológico ‘mete água’ e precisa de obra urgente
As infiltrações de água, através da cobertura, no bloco tecnológico é o
problema mais urgente a resolver na escola-sede do Agrupamento de
Escolas Trigal de Santa Maria, em matéria de obras.
A substituição da cobertura é uma intervenção a concretizar pelo
município e que é aguardada pela direcção do Agrupamento, já que o
problema já se verifica há três anos, explica José Sil.
A idade dos edifícios que compõem a escola básica do 2.º e 3.º ciclos também já começa a preocupar.
A EB 2,3 Trigal de Santa Maria já tem mais de 30 anos e em termos de
placas de isolamento começa a evidenciar sinais de degradação, aponta o
director do Agrupamento.
A cobertura dos espaços exteriores é outra preocupação. A escola ficou
fora da lista do Ministério da Educação dos estabelecimentos com
cobertura de fibrocimento a retirar, mas a direcção suspeita da
existência deste material naquelas coberturas.
As pequenas intervenções na escola são asseguradas pelos funcionários, uma ajuda preciosa, reconhece o director.
Alunos orgulhosos da sua escola mais motivados para aprender
Um exemplo é o ‘Prémio Escolar Montepio’ a que se acede por convite e só são convidadas as escolas que mais progrediram na avaliação externa, explica o director, José Sil.
A Fundação Calouste Gulbenkian também reconheceu o projecto ‘Estímulo à melhoria das aprendizagens’, no âmbito do qual, deverá estar a funcionar, até ao final do 1.º período, um laboratório de línguas. Com o prémio da Fundação Ilídio de Pinho, está prevista a instalação de um mecanismo de energia solar para dar movimento à água do charco ‘Borbolinha’, um dos projectos ambientais da escola-sede.
Com um orçamento cada vez mais reduzido, “a escola enriquece-se por via dos vários prémios a que vai concorrendo” justifica José Sil.
Este ano, o Agrupamento recebeu também um crédito de dez horas pelos resultados da avaliação externa, que ficaram próximos dos da avaliação interna, facto “registado com agrado”.
José Sil lembra que a EB 2,3 já foi a segunda escola com melhores resultados no 2.º ciclo, apesar do contexto desfavorável.
O director explica os resultados com o reforço de alguns apoios aos alunos, por exemplo na matemática, onde a aposta recaiu em assessorias, além dos apoios tradicionais.
A promoção de provas a nível interno, uma espécie de testes intermédios, é outro mecanismo.
Acima de tudo, “procuramos envolver os alunos e fazê-los sentir que também são responsáveis pela sua aprendizagem” especifica José Sil.
Tornar o espaço da escola agradável é outra aposta para motivar a aprendizagem. “Se tiverem orgulho na escola ficam mais motivados” acredita aquele responsável.
O profissionalismo do pessoal docente e não docente, o espírito de grupo e camaradagem são factores que contribuem para o ‘bom ambiente’.
O director destaca o grande apoio dos assistentes operacionais na manutenção da segurança e do espaço escolar. Por exemplo, os bancos coloridos agora à disposição do lazer no espaço exterior, foram feitos pelos funcionários e pintados pelos alunos.
O ambiente de segurança também é importante. “Os pais têm que sentir que a escola é um local seguro” reforça José Sil. O director do Agrupamento evidencia que “a dispersão física das escolas prejudica a organização de actividades conjuntas”.
Outro factor de constrangimento é a necessidade de transporte que tem um custo acrescido, mesmo para a participação dos alunos em actividades na cidade de Braga. Em nome de uma política inclusiva, José Sil defende que “a Câmara Municipal de Braga deveria equacionar o apoio ao transporte dos alunos das escolas mais periféricas” que “acabam por não ter as mesmas oportunidades”.
Eco-escola torna o seu espaço verde e atractivo
Eco-escola desde 2008, a EB 2,3 de Tadim tem renovado, todos os anos, a bandeira e há muito que faz do ambiente uma prioridade que é visível no verde espaço exterior.
Além da horta, de cariz biológico, o coberto vegetal tem crescido no recinto escolar, aproveitando e devolvendo à fruição diversos espaço.
O ano passado, foram plantadas 16 árvores dando origem à ‘encosta das laranjeiras’ que, a prazo, poderá permitir oferecer sumo de laranja natural aos alunos.
A identificação das várias espécies de árvores e arbustos foi outro projecto implementado.
Os projectos são trabalhados em termos curriculares e depois postos em prática na zona verde da escola, explica o director do Agrupamento, José Sil.
A água utilizada nos autoclismos e na rega das plantas vêm de um poço que existe na escolam aproveitando este recurso disponível.
Num espaço que chegou a estar votado ao abandono, foi criado um campo de ténis que é bastante utilizado pelos alunos a quem a escola empresta as raquetes.
Além de incentivar hábitos de reciclagem e a reutilização de materiais nos alunos, a sensibilização já dá frutos na comunidade que também entrega materiais na escola, dá conta José Sil.
Fonte: Correio do Minho



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